segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O peso dos gols de Fabuloso e Imperador

Futebol é aquele tipo de esporte que podemos passar anos a fio estudando e buscando traçar alguma lógica que, mesmo assim, jamais conseguiremos obter algum resultado satisfatório. Alguma fórmula para o sucesso, por exemplo.

Um exemplo desta falta de lógica do esporte foi o retorno, ainda no começo da temporada, de duas estrelas a clubes brasileiros. Luis Fabiano e Adriano foram as principais contratações de seus clubes no início de 2011, e expandiram a lista de jogadores brasileiros na Europa que decidiram regressar ao Brasil. Desde então a temporada de 2011 foi marcado por semelhanças (que vão muito além do fato de serem atacantes que já serviram a seleção brasileira), diferenças e ironias entre estes dois atletas.

Luis Fabiano foi contratado pelo São Paulo no dia 11 de março. O tricolor paulista desembolsou 7,6 milhões de euros pelo atacante que estava no Sevilla, da Espanha. O valor é o maior já pago pelo São Paulo por um jogador. Sua apresentação aconteceu em um Morumbi ocupado por 45 mil torcedores e a previsão de estréia era de, no máximo, dois meses.

Entretanto, dores no joelho direito adiavam partida após partida sua reestréia pelo clube. A fibrose detectada fez com que o atacante optasse por cirurgia, realizada em maio. Após a raspagem desta ‘casca’ interna, que impedia a realização normal de diversos movimentos, foi iniciado o processo de cicatrização do local.

Porém esta etapa não foi concluída já que os médicos do clube notaram um problema de cicatrização da área operada.

Com isso, Luis Fabiano passou por sua segunda cirurgia, desta vez uma cirurgia plástica para corrigir a cicatrização do joelho direito. Com todos estes problemas, o Fabuloso só conseguiu estrear no dia 2 de outubro, contra o Flamengo, quase sete meses após sua contratação. Neste período ele passou pelas mãos de Carpegiane, quando não conseguiu jogar, Adilson Batista, quando chegou a atuar, mas não marcou, e Leão, quando finalmente voltou a fazer gols.

Adriano também passou seis meses de preparação antes que pudesse ser utilizado em campo. O Imperador foi apresentado no dia 31 de março sem pompa e sem festa, como aconteceu com seu ex-companheiro de seleção no São Paulo. O Corinthians trouxe o atacante depois de ele ser dispensado pela Roma, após fracassada passagem do jogador pelo clube italiano. Lá ele só foi capaz de fazer um gol em amistoso realizado entre sua equipe e um combinado da região de Riscone Brunico, vencido por 13 a 0.

Em péssima fase da carreira, fora de forma e em recuperação de cirurgia no ombro direito, Adriano ainda rompeu o tendão do pé esquerdo durante treinamento no Corinthians, passando assim mais tempo no departamento médico do clube do que em campo treinando com seus companheiros.

Sua estréia ocorreu uma semana após Luis, no dia 9 de outubro na vitoria por 3 a 0 sobre o Atlético-GO. O atacante jogou apenas alguns minutos e estava visivelmente fora de sua forma física ideal.

Depois de suas estréias, os atacantes seguiram caminhos distintos no decorrer da temporada. Pelo São Paulo, Luis Fabiano chegou a perder pênalti no empate em 3 a 3 de sua equipe com o Cruzeiro. Mesmo assim, conseguiu desencantar no primeiro jogo contra o time do Libertad, do Paraguai, pela Sul americana. Sua vida, entretanto, não melhorou muito. No jogo de volta, no Paraguai, Fabuloso cometeu pênalti, que resultou no primeiro gol do adversário, e saiu de campo contundido, na derrota - e conseqüente eliminação do torneio- por 2 a 0.

Até o último jogo do São Paulo no ano, contra o Santos, Luis Fabiano jogou 11 vezes, melhorou gradativamente seu nível de atuação e atingiu a marca de oito gols. Entretanto, ele não foi capaz de fazer com que seu clube tivesse motivos para comemorar: foi eliminado do único torneio internacional que disputava e não conquistou vaga para a Libertadores de 2012.

Já Adriano atuou poucos minutos em apenas quatro partidas até o final da temporada, ainda em péssima forma física. Fez um único gol.

A grande ironia desta comparação entre os dois artilheiros é de que este único gol de Adriano foi muito mais importante para o Corinthians do que os oito gols de Luis Fabiano foram para o São Paulo.
O time do Parque São Jorge fazia jogo duro contra o desesperado Atlético-MG, perdendo por 1 a 0. A derrota parcial para o galo, somada a vitória do Vasco sobre o Avaí no dia anterior, fazia com que os corinthianos perdessem sua liderança no brasileirão para o time carioca.


Adriano entrou em campo já no final do segundo tempo, quase como medida desesperada do técnico Tite de conseguir ao menos um empate. Aos 32 minutos o Corinthians igualou o marcador com Liédson e aos 43 do segundo tempo o Imperador finalmente deixou sua marca.

547 dias depois de fazer seu último gol em partidas oficiais – na vitoria do Flamengo por 2 a 1 sobre o Universidad do Chile, pelas quartas de final da Libertadores- Adriano decretava a virada do timão sobre o galo, recuperando assim a liderança do campeonato e deixando seu time mais perto do que nunca do penta campeonato brasileiro.

Nas duas rodadas seguintes Adriano não entrou em campo, mas não foi necessário. O Corinthians venceu o Figueirense e empatou com o Palmeiras, confirmando a conquista do Brasileirão 2011.
Os saldos desse primeiro ano de Fabuloso e Imperador no Brasil foram distintos: para Fabuloso, apresentação diante de 45 mil torcedores, oitos gols em 11 jogos e nenhum motivo de alegria para sua torcida. Para Adriano, muita desconfiança, quatro partidas, entrando apenas nos minutos finais, um gol e um título.

É difícil dizer quanto pesa cada gol no futebol. Estatisticamente, o Fabuloso teve um retorno ao Brasil muito mais eficiente do que Adriano. Mesmo assim, tente convencer qualquer corinthiano de que o gol solitário do Imperador não foi mais importante do que todos os gols de Luis Fabiano juntos.

Até mesmo o são paulino mais fanático vai ter que dar o braço a torcer.

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