quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A sofrida vaga olímpica

Teve fim na manha do último domingo, dia 4, a Copa do Mundo masculina de vôlei. A seleção brasileira ficou aquém do que poderíamos imaginar, ficando com o terceiro lugar.
Entretanto, o objetivo principal foi alcançado: a vaga para as Olimpíadas de Londres de 2012 esteve próxima de ser perdida para a Itália, porém o Brasil conseguiu assegurar a terceira posição, última que dava direito a Londres, apenas na última rodada, contra o Japão.


O torneio realizado a cada quatro anos- sempre com sede no Japão- serviu para afirmar o momento de renovação da seleção brasileira.

Com muitos jogadores jovens entre seus titulares mais freqüentes (Leandro Vissotto, Lucão, Bruninho, Théo, entre outros) era de se imaginar que o time alternasse bons e maus momentos na competição. Apesar de estes jovens estarem atuando entre diversos jogadores consagrados de nosso país, como Giba, Serginho e Murilo (sem contar o ponteiro Dante, que perdeu grande parte da competição por estar lesionado), a equipe não fugia de certos momentos de ‘apagão’ em quadra.

Isto ficou claro quando vimos os comandados de Bernadinho ganhando de forma avassaladora da Rússia, que viria a ser a campeã do torneio, por 3x0, e Estados Unidos, por 3x1; enquanto que perdia para Itália, Cuba e Sérvia (3x2, 3x2 e 3x1, respectivamente). Além disso, o Brasil ainda perdeu ponto fácil ao ganhar da China pelo placar apertado de 3x2, visto que na Copa do Mundo, vitórias por 3x0 e 3x1 valem três pontos, enquanto que vitórias por 3x2 valem apenas dois pontos.

Mesmo com esses tropeços, nossa seleção demonstrou poder de reação e capacidade de superar dificuldades durante o andamento das competições. Após perder os três jogos já citados, o Brasil encontrava-se em situação delicada, deixando escapar sua vaga para os Jogos Olímpicos. Mesmo assim, soube assimilar o momento ruim que passava e conquistou três vitórias nos últimos três jogos, garantindo a terceira posição somente nos critérios de desempate.

O momento que mais simboliza a superação brasileira foi na suada vitória ante a surpreendente Polônia. Os poloneses – que terminaram o torneio com a segunda colocação- venciam uma apática seleção brasileira por 2x0. Já no terceiro set, chegaram a abrir 13x9, deixando sua vitória praticamente consolidada.

A chave para a reação esteve nas mãos do levantador Bruninho. Habituado a entrar em jogo apenas quando realizadas as ‘inversões’ (saia o levantador Marlon e o oposto Vissotto para a entrada do levantador Bruninho e o oposto Théo, geralmente com o objetivo de deixar a rede brasileira mais alta), o filho do técnico Bernadinho, de 24 anos, entrou inspirado e foi a peça-chave para virar os 13x9 para 13x14 em prol do Brasil.

A partir desta reação no terceiro set o Brasil acordou para o jogo e virou a partida quase perdida para um emocionante 3x2.

Com os ânimos renovados após vencer a Polônia, não seriam os anfitriões japoneses os responsáveis pela perda da vaga a Londres, na última partida. O Brasil venceu por 3 sets a zero e superou a Itália apenas no segundo critério de desempate. Após as 11 partidas da Copa, brasileiros e Italianos figuravam com os mesmos 24 pontos e oito vitórias. A terceira posição, portanto, ficou com a equipe de melhor média de sets. Nossa seleção venceu 29 sets e perdeu 14, atingindo a média de 2,07. Já a Itália venceu 28 sets e perdeu 15, obtendo média de 1,86.


Nosso vôlei ainda terá algo em torno de oito meses antes da estréia olímpica na capital inglesa, onde terá a chance de comprovar a qualidade de sua renovação. Cabe a Bernadinho, com currículo abrilhantado pelas medalhas de ouro que acumula, a responsabilidade de guiar essa nova seleção que se configura. Após 10 anos de hegemonia – de 2001 até hoje são três campeonatos mundiais, oito títulos de Liga Mundial, duas Copas do Mundo e um ouro e uma prata nas Olimpíadas de Atenas 2004 e Pequim 2008, além das diversas medalhas em Pan-Americanos, Sul-Americanas e Copa dos Campeões- a permanência no topo se torna mais desafiadora.

Que comece a segunda década dourada para o Brasil.

2 comentários:

  1. só falta um texto de Handbol =)

    muito bom o texto, vamos torcer para a proxima medalha ;)

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  2. Mano eu vi esse jogo contra a polõnia e foi sinistro, monstra essa reação do Brasil no mundial.
    Curti teu texto lek, ta tão bom qnt os outros q ja li. Do mó apoio pro teu blog, continua assim. ;] Abrç

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