Por Guilherme Uchoa
Na manhã de terça-feira (17), por volta das 11h20, o jovem Daniel do Carmo Vieira, de 26 anos, que estava desaparecido desde outubro de 2011, foi encontrado pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo, na região da Nova Luz. A Polícia Civil realizava uma operação para identificar possíveis desaparecidos entre os usuários de crack na região.
Há oito anos, a mãe do rapaz, Ivonete do Carmo, de 41 anos, sofre com o vício de Daniel. Ela conta que, com 18 anos, ele começou a usar maconha e cocaína, mas a dependência foi aumentando e o jovem passou a usar crack e até oxi. Desnorteado pelo vício, Daniel costumava sair para frequentar a Cracolândia. Desde o ano passado, ele começou a fugir de casa.
“Na primeira vez, ficou cinco meses fora, saiu em março e em outubro ligou para a namorada sem saber nem que dia era. Ele perdeu a noção do tempo e levou um susto quando ela disse que estávamos em outubro”, conta Ivonete.
Daniel voltou, mas não ficou muito tempo em casa. Depois de aparentemente estar se recuperando, sentiu falta da substância e fugiu pela segunda vez.
“Ele ficou menos de um mês e teve uma recaída. Dessa vez, vendeu botijão de gás, mantimentos, janelas, vendeu tudo que tínhamos em casa e sumiu. Ficou quatro meses na rua, até o DHPP encontrá-lo”, disse a mãe.
O Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa encontrou o jovem na manhã de terça-feira (17) na praça Princesa Isabel, em Campos Elíseos. Após identificá-lo como desaparecido, o DHPP entrou em contato com vizinhos e com a ex-namorada do rapaz para que a família fosse buscá-lo.
O Portal da SSP falou com Daniel, por telefone. Ele disse que várias vezes tentou voltar para casa mas optava por continuar na rua graças ao estímulo de outras pessoas. “Na rua, eu pegava latinhas e fazia amizade com funcionários de restaurantes para poder comer. Algumas vezes, eu parava de sentir vontade de usar crack e pensava em voltar para casa, mas então alguém passava na rua e me dava 20, 30 ou 50 reais e, assim, eu ficava mais tempo”, explicou.
Para Ivonete, a atuação do DHPP foi fundamental para encontrar seu filho. “Eu não conhecia o trabalho que esses policiais realizavam. Amigos disseram para eu registrar o desaparecimento do Daniel lá na Delegacia de Desaparecidos. Muitas vezes criticamos a polícia mas quando conversei com os delegados percebi que se trata de um trabalho minucioso para encontrar as pessoas”, elogiou.
A importância desse trabalho não é de hoje. “É tradição desta delegacia, que já encontrou desaparecidos de outros estados, inclusive do Piauí, na Cracolândia. É um trabalho de ‘formiguinha’, dado o volume de atuação e pessoas naquela região. Estamos contribuindo com a sociedade”, disse o delegado Jorge Carlos Carrasco, diretor do DHPP.
Ele aproveitou a entrevista com o Portal da SSP para dar orientações importantes a quem acredita que uma pessoa esteja sumida. “É preciso procurar a polícia o mais rápido possível para noticiar o fato. Quando alguém registra um boletim de ocorrência, conseguimos logo a foto do desaparecido”, explicou.
Só a partir desse procedimento e do trabalho realizado pelo DHPP é que outras famílias poderão sentir a mesma emoção de Ivonete ao reaver seu ente querido.
“Foi muito bom! A gente se encontrou, se abraçou e chorou muito! O Daniel não parava de perguntar como eu e a irmã estávamos e ainda conheceu o sobrinho, que nasceu enquanto estava fora”, disse Ivonete, desta vez, com o rapaz ao seu lado.
Matéria produzida para o site da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. www.ssp.sp.gov.br
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