quarta-feira, 28 de julho de 2010

Até onde vai a dignidade de um piloto?

É uma das últimas voltas da corrida. O piloto brasileiro da Ferrari vem liderando o GP da Alemanha para conquistar, com tranqüilidade, a primeira colocação.


Até que uma voz no comunicador do piloto indica que é hora de ele se retirar. ”Ok. So, Fernando is faster than you! Can you confirm that you understood that mensage?”. A fala pausada e a entonação usada deixam claro que era hora de Felipe Massa abrir espaço para o outro piloto da Ferrari, Fernando Alonso, aparentemente melhor que Massa, passar e conquistar a vitória que deveria ser do brasileiro.

Após isso, mais uma mensagem pode ser ouvida através do comunicador de Massa. “Ok man. Good luck, just stay with them... Sorry.”

O pedido embaraçado de desculpas não é capaz de amenizar a gravidade do que tinha acabado de acontecer. Mais uma vez na história recente da Formula-1, um piloto brasileiro seria obrigado a ceder passagem para seu companheiro de escuderia.

A sensação de “Déjà vu” remete a 2002 quando, Rubens Barrichello, brasileiro, piloto da Ferrari, sob ordens de seus superiores, deixou que Michael Schumacher, piloto número um da escuderia, assumisse na reta final a liderança do GP da Áustria. Na época Rubinho foi muito contestado e criticado pela torcida brasileira, que viu em sua atitude um ato medroso e pouco digno.


Entretanto, naquele mesmo ano tivemos um caso muito semelhante envolvendo o próprio Felipe Massa. Ele corria pela Sauber ao lado de Nick Heidfeld e estava na sexta posição do Grande Premio da Europa.

Confirmada esta sexta posição, Massa ganharia um ponto (naquela temporada, apenas os seis primeiros colocados recebiam pontos). Porém, Peter Sauber, chefe da escuderia, ordenou que o brasileiro deixasse Heidfeld, sétimo colocado até então, passar e assumir a sexta colocação, obtendo assim o ponto que seria de Massa.

Felipe recusou a ordem de Sauber e passou a linha de chegada na sexta colocação. No fim do ano, foi demitido da escuderia.

É muito provável que esses dois episódios de 2002 tenham passado pela mente de Massa nos instantes em que teve para decidir entre a obediência à hierarquia da Ferrari, e a desobediência as ordens de superiores.
Obedecendo as ordens de sua escuderia, Felipe Massa estaria comprovando o seu respeito pela hierarquia da equipe e, provavelmente, garantindo sua permanência na escuderia ao fim da temporada. Desobedecendo a orientação, ele manteria sua honra e dignidade, mas poderia passar pelo mesmo episódio de 2002 e acabar sendo demitido de uma das equipes mais fortes da F-1.

Em outras palavras, era uma questão de honra para o piloto ou fidelidade para a escuderia.

Mesmo assim devemos entender também o ponto de vista da Ferrari. Por ser ela quem investe fortunas nas corridas, possui o direito de usar os seus pilotos para fazer o seu “jogo de equipe”, fazer o que achar mais conveniente para si.

Tudo isso será julgado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) no dia 10 de setembro, em Paris, onde esta localizada sua sede. Mas, dificilmente eles conseguirão chegar a um consenso sobre as linhas que separam os direitos da escuderia dos direitos do piloto, fazendo com que seja impossível afirmar quem esta certo e quem esta errado nessa situação.

Provavelmente permaneceremos com a dúvida de se o trabalho em equipe da escuderia e seus interesses valem tanto quanto o orgulho e a glória pessoal do piloto que dirige o automóvel.

Enquanto isso, os brasileiros vão assumindo os seus papéis de coadjuvantes e abrindo espaço para que outros pilotos brilhem.

8 comentários:

  1. muito bem escrito! você tem talento, sabe expressar sua opinião =)

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  2. opinião forte, texto muito bem produzido.. tá no caminho certo irmão ;D

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  3. bem elaborado o texto Gui :)
    Parabens

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  4. depois disso eu nao confio mais no Massa..
    texto irado uchoa, valeu

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  5. Gui muitoo bom , você tem talento!! Parabéns!! Vou vim mais vezes aqui ler seus textos uahua beijos

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  6. Guii adorei o texto!
    Mas afinal, qual é a resposta?
    A se pensar...

    Beijoos

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  7. a mesma palhaçada de sempre, pra variar um pouco Brasil passado pra trás. por dinheiro ou não, absolutamente ridículo, ainda mais deixarem que uma coisas dessas aconteça. sabe lá o que se passa na cabeça dessas criatuas...
    seus textos são ótimos Gui!! beijooo :)

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