domingo, 26 de maio de 2013

Há 50 anos, basquete brasileiro conquistava o bimundial

Por Guilherme Uchoa

Durante pelo menos 20 anos, o basquetebol brasileiro esteve habilitado para competir em alto nível contra as duas principais potências da modalidade: Estados Unidos e União Soviética. Neste período, que empreendeu as décadas de 1950 e 1960, as três nações revezavam-se nas primeiras colocações nos pódios olímpicos e mundiais – algo impensável para a atual realidade do esporte no país.
Kanela comandava a seleção com rigor e autoridade

Foi nessa fase que o Brasil conquistou, comandados pelo técnico Kanela, e liderados em quadra pelos craques Wlamir Marques e Amaury Pasos, dois títulos mundiais e duas medalhas em Jogos Olímpicos. A esse currículo somam-se as cinco conquistas sul-americanas, já que nem os hermanos do Uruguai e da Argentina, costumeiramente grande algozes, conseguiam impor grande resistência ao escrete canarinho.

Dentre tamanhas vitórias e do bom momento que o Brasil vivia em outras modalidades (o boxe com Eder Jofre, tênis com Maria Esther Bueno, e o futebol com Pelé e Garrincha), a mais valiosa para o esporte da bola laranja, foi o bimundial de 1963, que neste sábado (25) completa 50 anos.

Neste ano, o torneio foi realizado no Rio de Janeiro, que já havia sido sede do mundial de 1954, quando o Brasil ficou com a prata. A escolha do local foi determinante para Kanela e seus comandados já que, na Cidade Maravilhosa, contou com o apoio expressivo to torcedor carioca, sempre lotando as dependências do ginásio do Maracanãzinho. “O ginásio já estava lotado desde a estreia, não cabia nem uma mosca, e “vinha abaixo” quando entravamos na quadra”, conta o ex-pivô Antônio Sucar. “Era impressionante”, completa.

Antes do início do certame, entretanto, o Brasil sofreu um baque: deixou escapar o título do Pan-americano de 63 para os Estados Unidos, jogando no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Depois da competição em solos paulistas, as duas seleções seguiram direto para o Rio.

Por ser o país-sede do Mundial, o Brasil não participou da fase de grupos, estando automaticamente classificado para a segunda fase. A partir daí, foram seis partidas, com 100% de aproveitamento.

Amaury Pasos era um dos principais nomes da seleção brasileira
A estreia foi contra o time de Porto Rico, que segundo o ex-pivo Luiz Cláudio Menon, dificultou ao máximo a vida dos anfitriões. “Contra Porto Rico jogamos muito mal. Porto Rico sempre teve um intercambio constante com os Estados Unidos e, por isso, é um time chato de jogar contra. Eles marcam muito bem, tiveram uma boa produtividade de cestas e aliado a uma estreia com o Maracanãzinho lotado e uma gritaria desgraçada, o nosso time não andou”, explica. Apesar das adversidades, vitória verde e amarela por 62 à 55.

Os três jogos seguintes terminaram com vitórias tranquilas dos brasileiros, primeiro sobre a Itália, por 81 x 62, em seguida para a Iugoslávia, por 90 à 71, e logo após, contra os franceses, desta vez por 77 à 63.

Na reta final do certame, veio a hora de enfrentar os dois maiores rivais brasileiros. No dia 23 de maio, com uma partida memorável do ala Victor Mirshauswka, autor de 27 pontos, o Brasil passou pelos soviéticos. Placar final de 90 x 79.

Já no dia 25 de maio veio a consagração do título com a vitoria diante da poderosa seleção norte americana por 85 á 81, em um ginásio tomado pela torcida brasileira.

Segundo o ex-ala Wlamir Marques, a data ficou marcada como o momento mais importante de sua carreira “Minha maior emoção foi o mundial do Rio, em 63. No Maracanãzinho lotado, ganhamos de forma invicta. Éramos credenciados a ganhar, embora achássemos que fosse difícil porque uma semana antes do início do mundial havíamos perdido o Pan-americano para a seleção dos Estados Unidos” recorda. “Quando ganhamos o último jogo, teve aquela invasão, quase fiquei pelado em quadra. Essa foi, sem dúvida nenhuma, a maior emoção que passei”, diverte-se.

Com a campanha perfeita, não foi surpresa que Wlamir e Amaury fossem escolhidos para integrar o quinteto do campeonato. Ao todo, o Diabo Loiro fez 108 pontos (média de 18 por partida), enquanto que Amaury Pasos computou 106 (17,6 por jogo). A dupla foi responsável por 214 dos 485 pontos anotados pelo Brasil na competição.

Dessa maneira, de forma inquestionável, diante de sua torcida, e vencendo os adversários mais duros, o basquete brasileiro repetiu o feito que o futebol já havia alcançado no ano anterior, no Chile: ser bicampeão mundial. A coquista na Cidade Maravilhosa, abençoada pelo Cristo Redentor, serviu para coroar uma geração que não recebia nada para servir a seleção brasileira. Apenas a honra e o orgulho de vestir a camisa verde e amarela.

Fotos: Divulgação/ CBB


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